Compartilhando saberes sobre contar histórias (parte 2)

Não podíamos imaginar, quando iniciamos essa série que busca compartilhar as pesquisas acadêmicas (dissertações e teses) realizadas em universidades brasileiras, a quantidade de trabalhos que encontraríamos.

A lista do Morada das Histórias não pretende ser exaustiva – ou dar a palavra final, destacando todos os estudos que estão disponíveis online. Isso seria impossível. Mesmo deixando de lado (na maior parte dos casos) artigos em periódicos/revistas e trabalhos de conclusão de curso, o número de investigações de universidades públicas e privadas que podem ser acessadas pela internet é extenso e de uma riqueza incrível.

Deixamos, então e antes de começar essa nova lista, um convite: quem quiser contribuir com novas informações/indicações para essa compilação será muito bem-vindo e de grande felicidade nossa.

  • Quem conta um conto… A narração de histórias na escola e suas implicações pedagógicas – de Sérgio Carneiro Bello (para acessá-la clique aqui).
  • O surdo e a contação de histórias – análise da interpretação simultânea do conto “Sinais do Metrô” – de Márcia Dilma Felício (para acessá-la clique aqui).
  • Práticas e representações da cultura popular sertaneja: um contador de causos, Geraldinho Nogueira – de Carolina do Carmo Castro (para acessá-la clique aqui).
  • A Emília que mora em cada um de nós: a constituição do professor-contador de histórias – de Luciene Souza Santos (para acessá-la clique aqui).
  • A contação de histórias como possibilidade educativa: análise de dissertações e teses produzidas no contexto brasileiro – de Janaína Cé Rossoni (para acessá-la clique aqui).
  • Os contadores de histórias na contemporaneidade: da prática à teoria, em busca de princípios e fundamentos – de Ângela Barcellos Café (para acessá-la clique aqui).
  • Vozes da memória: o contador de histórias em narrativas orais urbanas – de Alessandra Bittencourt Flach (para acessá-la clique aqui).
  • Do sabor de contar histórias ao saber sobre a história para o ouvinte: estudo sobre a contribuição da contação de histórias ao desenvolvimento do pensamento na criança – de Simone Fátima Halabura Follador (para acessá-la clique aqui).

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Compartilhando saberes sobre contar histórias (parte 1)

Contar histórias, o ato de narrar, está cada vez mais comparecendo como um tema importante nas pesquisas realizadas por instituições de ensino superior. Pensando em toda essa riqueza de estudos distribuída por aí, nós do Morada das Histórias decidimos iniciar uma série que busca compartilhar um pouco dessa já extensa produção acadêmica a respeito da contação de histórias.

Estão aqui indicadas e disponíveis para a leitura, nessa primeira parte, teses e dissertações que encontramos nos bancos de dados online da USP, UNESP e UNICAMP:

  • Mãos que tecem tapetes e realizam círculos: um estudo sobre a imaginação e a formação de educadores autores nas artes visuais – de Anna Rita Ferreira de Araújo (para acessá-la clique aqui).
  • O rio atravessa o deserto: considerações sobre o conto tradicional e a aprendizagem na Escola de Arte Granada – de Julia Goldman de Queiroz Grillo  (para acessá-la clique aqui).
  • A aprendizagem significativa e a narração de estórias tradicionais: experiências estéticas em escolas públicas na favela da Maré – de Vinicius Souza de Azevedo (para acessá-la clique aqui).
  • A menina, o cavalo e a chuva: A arte de contar histórias e a cibercultura – de Cristiana Souza Ceschi (para acessá-la clique aqui).
  • Aprender pela arte a arte de narrar: educação estética e artística na formação de contadores de histórias – de Vivian Munhoz Rocha (para acessá-la clique aqui).
  • O narrador: considerações sobre a arte de contar histórias na cidade – de Giuliano Tierno de Siqueira (para acessá-la clique aqui).
  • Onde estão as borboletas : contar historias na pre-escola e a imaginação das crianças – de Taciana Saciloto Real (para acessá-la clique aqui).

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As oficinas de teatro de bonecos no Brasil

Artigo publicado no Jornal do Espaço do Boneco (nº 2, ano 2), da Companhia Polichinelo de Teatro de Bonecos de Araraquara, por uma integrante do Morada das Histórias.

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As oficinas de teatro de bonecos no Brasil

Tânia Gomes Mendonça

De tempos em tempos, são realizadas, no Museu do Boneco, oficinas que compartilham experiências e saberes relacionados com o teatro de bonecos em geral. São ótimas oportunidades para que os interessados no assunto possam aprender um pouco mais sobre esta arte tão incrível! Mas, você conhece algo sobre a história dos cursos de teatro de bonecos em nosso país?

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As primeiras oficinas das quais temos notícias foram oferecidas a partir de 1946, pela psicóloga e educadora russa Helena Antipoff, que veio ao Brasil em 1929 a fim de implantar um novo projeto de educação em Minas Gerais.

No ano de 1945, Helena criou a Sociedade Pestalozzi do Brasil, instituição que, com o trabalho de médicos e educadores, buscava atender crianças excepcionais e professores de classes escolares especiais. Um dos projetos desta associação era fazer com que as crianças excepcionais entrassem em contato com expressões artísticas e, para isso, elas recebiam, também, o apoio psicológico. Esta associação era uma continuação da Sociedade Pestalozzi de Belo Horizonte, que esteve em vigor até o início dos anos 1940. Além de todos os objetivos já comentados, esta organização dava atenção às crianças abandonadas da capital de Minas Gerais. O projeto de Belo Horizonte teve fim porque, durante o período da história do Brasil conhecido como Estado Novo, a renovação do contrato da Sociedade foi negada.

Os cursos de teatro de bonecos criados por Helena Antipoff na década de 1940 compartilhavam conhecimentos básicos sobre a confecção e manipulação dos bonecos de luva, de vara e o teatro de sombras, além de trazer informações sobre cenografia. Durante muito tempo, a prática do teatro de bonecos em nosso país teve influências destas oficinas ministradas pela educadora e psicóloga russa. Talvez você não imagine, mas artistas como Cecília Meireles foram marcadas pelo contato com a criadora da Sociedade Pestalozzi!

E você, tem interesse em fazer oficinas para aprender mais sobre o surpreendente mundo do teatro de bonecos?

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Este artigo foi baseado, parcialmente, em informações compartilhadas pela pesquisadora Ana Maria Amaral.

Foto: Aluno da Escola Elementar da Fazenda Rosário – uma das experiências que Helena Antipoff participou no Brasil – na oficina de cerâmica, 1960. Imagem retirada do artigo “Helena Antipoff: razão e sensibilidade na psicologia da educação“.

Javier Villafañe: uma ponte entre o Brasil e a Argentina

Tânia Gomes Mendonça

Você conhece algo a respeito do teatro de bonecos argentino? Javier Villafañe é, provavelmente, o bonequeiro mais conhecido de nosso país vizinho.  Sua história se liga a um acontecimento da vida de um escritor espanhol muito famoso, que talvez você não saiba que também criava peças para teatros de bonecos: Federico García Lorca.

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Em 1934, Federico García Lorca chegava a Buenos Aires para participar da estreia de uma obra de sua autoria. Ele aproveitou a mesma ocasião para apresentar uma peça de teatro de bonecos que havia criado. Javier Villafañe estava na plateia deste espetáculo e já era apaixonado pelo teatro de bonecos.

Villafañe havia comprado uma carroça, que deu o nome de “La Andariega”, adaptou-a para que levasse um teatrinho de bonecos e saiu pelas estradas da Argentina apresentando, de cidade em cidade, suas peças de teatro de fantoches, todas de sua autoria. Há lindos relatos de educadoras que passaram a fazer teatro de bonecos com seus alunos após a visita ilustre deste artista. Uma história muito poética!

Em 1941, Villafañe chegou a terras brasileiras e, por aqui, provocou muitas transformações: ele ajudou a difundir o teatro de bonecos no Brasil, e foi o tema de belas palavras do escritor Rubem Braga:

“Seu nome, Javier Villafañe; sua orientação: amor e respeito pelas crianças. Javier ia, com seus bonecos e suas histórias, onde houvesse crianças dispostas a ver e ouvir suas invenções. E elas estavam em toda parte. Ele ia em lombo de burro, a cavalo, de ônibus, de carona, de barco, a pé, de qualquer jeito”. (Rubem Braga, Correio da Manhã, 05/08/1946)”.

Se você quiser conhecer um pouco mais sobre este bonequeiro argentino que tanto influenciou os artistas brasileiros, leve em conta esta dica: assista, no You Tube, o curta-metragem Maese Trotamundos – “La Andariega Del Río”. Boa diversão!

Fantoches na escola: uma história a ser contada!

2016-02-16 22.17.48

Artigo publicado no Jornal do Espaço do Boneco (nº 1, ano 2), da Companhia Polichinelo de Teatro de Bonecos de Araraquara, por uma integrante do Morada das Histórias.

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Fantoches na escola: uma história a ser contada!

Tânia Gomes Mendonça

Você já viu alguém usando fantoches em sala de aula? Ou você mesmo já os utilizou em suas aulas? Pois saiba que não foi sempre assim: os bonecos só passaram a ser usados, no Brasil, com os objetivos pedagógicos que temos hoje, a partir de meados do século XX.

Segundo a pesquisadora Ana Maria Amaral, foi a partir da década de 1940 que o teatro de bonecos ganhou um grande fôlego em nosso país, quando um movimento educativo e cultural passou a exercer um importante papel nesta atividade artística. Este movimento, que tem influências na nossa maneira de pensar a educação até os dias de hoje, ficou conhecido pelo nome de Escola Nova.

A Escola Nova buscava desenvolver a individualidade do aluno, a sua autonomia e, para isso, a criança deveria “aprender fazendo”. A confecção de bonecos e a criação de histórias com os alunos eram instrumentos perfeitos para essa nova forma de pensar a educação!

Com isso, no Brasil, na década de 1950, por exemplo, já havia diversos livros, publicados inclusive pelo governo, que ensinavam os pais e professores a confeccionar fantoches e a construir o seu próprio teatrinho.

Foi, além disso, em 1946, que surgiram os primeiros cursos de teatro de bonecos conhecidos em nosso país. Eles eram ministrados por Helena Antipoff, e neles se formaram nomes que talvez você conheça, como o de Maria Clara Machado.

Assim, da próxima vez que você usar bonecos em sala de aula ou observar alguém os utilizando, já vai saber de onde surgiu esta ideia tão lúdica e interessante!